Nem mesmo chorei por me enganares durante tanto tempo
Não chorei pelos meus gritos secos
E não gritei pelo desespero
(de não te ter)
Não chorei pela perda
Não chorei por ti
Não chorei sequer pelo que fizeste comigo
Não chorei por tua crueldade
Não chorei por tuas atitudes desumanas
Não chorei pelos homens
(Já era previsível.)
Chorei por mim.
Não chorei pelo coração ensanguentado,
mas sim por perceber que era minha mão que segurava a navalha
Era minha mão que o executava
E agora, nesse milésimo de segundo de consciência
era ela mesma que poderia salvar-lhe a pele
Sanar-lhe a carne.
Chorei por mim.
Chorei pelo sacrifício da minha própria criança
Chorei pelo rubor e pela vergonha
(que nunca foi vergonha
logo tornou-se calma)
Chorei, chorei, chorei
Para respirar e, depois, na calmaria
sorrir.
E esperei pela próxima ilusão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário