Massacra-me o tempo:
Obriga-me à consciência
Leva embora a inocência
Esquece-se do que há por dentro
Espreme-me o tempo:
Faz-me passar pelas frestas
tão estreitas do entendimento,
provando da vida as arestas
Tempo é pura correnteza
e toda gota salgada
é um instante de cada
movendo o mar e a areia
Lágrimas do esquecimento
Do que o tempo nos causa
Do que nos leva com o vento
Provoca e esconde o tormento
O tempo tem tom travesso
Gargalha sem piedade
da agonia da nostalgia
daqueles que tem saudade
O tempo é bom professor
Faz-nos aprender sozinhos
sempre seguindo o caminho
a conhecer e esquecer o amor
Já vi que o tempo passou
e enquanto me distraía
o tempo tocava minha vida
e eu chorava e eu sorria
Meu tempo, minha certeza
só peço que deixe saudade
nossa antiga felicidade
Fotografia sobre a mesa
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