quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Nudez ou o nascimento do vênus

Um menino bonito despiu-se de repente
bem a minha frente
E aos meus olhos desavisados só restou admirá-lo

Não apenas pelo fato de se por nu
(corajosa atitude de declarar-se o que se é)
Mas por fazê-lo com tamanha naturalidade e fluidez
Por mostrar-se logo alma linda e limpa
Tão iluminada
que faziam inexistir pudor e culpa.

Mas confesso que de minha parte fiquei rubra
Eu, tão mediocremente vestida!
ao observar tanta beleza crua
tanta entrega sã
como artista irremediável que acredita
no potencial da vida
na vivacidade da alma

Mãos minhas, tolas e encabuladas, hesitaram
Minha boca gloriosamente estupefata
pela inexperiência tão ignorante
de assistir àquilo que se almeja durante toda a vida:

Fazer-se nua
Jogar-se crua
Fazer-me tua
Minha
nossa;

Ser.

Nenhum comentário:

Postar um comentário