me tira o fôlego e o espaço do tórax
e me esmaga com teu corpo magro
Não dói;
o que sinto é a falta do peso do teu olhar
que se perdeu na necessidade de preencher os silêncios do quarto
que nos fazem convenientemente distantes.
Não me deixe à deriva,
perdida em mim mesma e nos pensamentos dos meus olhos
que contemplam tua perplexidade oculta
teu terreno misterioso que a cada segundo anseio desbravar.
É teu olhar e teu pranto que devem pesar a densidade do teu ser,
não teu sorriso amarelo!
Esses silêncios que insistes em desfazer
foram feitos para ecoar a batida de nossos corações
nossas pulsações intensas,
manifestações de vida
nossas gotas de suor pingantes dos rostos vermelhos.
E para eclodir todo esse êxtase de existência física, carnal
não é necessária tua simpatia,
tua fala,
tua música,
mas a sua revelação humana.
É necessário despir-se das convenções
Assumir-se frágil,
sanguinolento
Vergonhosamente vil e fraco.
E então sua beleza poderá ser eternamente admirada
Por se confessar mortal, e por isso completamente viva.
E então cada fio de cabelo seu se tornará mais lindo
Cada suspiro se tornará empaticamente próximo
Por se mostrar semelhante.
O delírio do prazer da extinção da solidão
consiste da descoberta da compatibilidade única
da identidade existencial humana.
E isso exige a coragem da exposição,
a honestidade consigo mesmo.
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