sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Teto Preto

Caiu o tempo
Desfez-se ele
Escorreu lamurioso pela face
pelos picos, vivos precipícios
A orelha
A ponta do nariz
O queixo
dos cílios pingaram as gotas
(mas não lágirmas: instantes)
e na boca permaneceu algum
tenro gosto,
vulgarmente: a saudade

Trovões que soam só dentro do corpo
e os ouvidos não captam;
Listas claras de instantes
no céu escuro dos olhos cerrados:
era o tempo que bradava
ter passado
E o coração nem se toca.

O coração nem se toca e nem sofre
fica lá estirado
dormindo
esquecido de viver
E o tempo-chuva,
respingando pelo corpo,
sendo gasto.
todas as gotas 
acabadas no chão,
agora inválidas.

Mas o tato não está vivo
e o úmido não desperta.

O molhado.

É de noite, e a vida adormece.
A minha vida dorme.

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