sábado, 31 de janeiro de 2015

marimã

Me beija! Sua estúpida,
Será que não reparas
em quanto somos ridículas
lutando sobrepostas
rasgando seda por nós próprias?

Me olha!
Força-me os pulsos
os braços
esses tão iguais aos teus
fortes por resistência
frágeis por cultura.
À face e aos olhos
beija-me ou acaricia
lembra-te de que fomos instruídas
à mesma covarde maneira.

Despe-te e te sente livre,
reflexo meu.
Por que nutrimos o pré desentendimento
pela rechonchuda veia da ignorância?
Não esquece que me conheces!
Não finjas que não sabes que sou igual a ti.

Até o teu olhar perdido
vazio, de solidão
compõe meu peito.
E meus sorrisos frouxos
compõe os teus cabelos,
teus dedos e cotovelos.

Guarda tuas falas doces para mim,
que sou tua irmã,
que piso nas mesmas terras que ti.
Não temos a mesma história,
mas compartilhamos a mesma vil estrada.
Lembra-te disso,
meu amor.

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