A completa desordem de suas madeixas que escorriam pela fronha era de tal forma encantadora, delicada e preciosa que, de maneira contraditória, chamar-se-ia de essencialmente apolínea. Uma cena dignamente apolínea por ser harmônica e ideal, destituída da costumeira embriaguez que dá margem às mais diversas ilusões.
Era como se cada fio de cabelo tomasse, com propósito, uma posição aleatória e emaranhada, e dessas pinceladas descompromissadas de objetivos quaisquer resultasse uma tela renascentista receptivamente humana e aconchegante... Como o impressionismo que, aproximada e tecnicamente, não pensa a simetria, mas sempre faz emergir subitamente uma cena perfeita aos olhos desavisados que avistam de longe. A preciosidade e sensibilidade da cena, porém, ebuliam do estranho fato de que a perfeição só poderia existir a partir da fluidez e espontaneidade da relação de todas as coisas presentes.
A áurea do ambiente não era reflexiva, mas calmamente consciente. A problematização filosófica e a intenção de encontrar respostas eram impraticáveis, visto que a contemplação e a conformação tomavam as rédeas das inevitáveis dúvidas vitais. Estava subentendido, através da calma, a inutilidade do sofrimento a partir das questões humanas insolúveis, confirmando-se com o vazio e nutrindo a paz de espírito.
A falta de simetria e de organização era a evidência material dessa quase filosofia. A opção pela tranqüilidade e controle perante a ferida aberta e efêmera da existência fazia germinar e crescer com raízes fortes a rara sabedoria daquele ser pacifico. Esses hábitos de pensamento de monge tibetano miscigenados com a sua criatividade e espontaneidade eram a propulsão daquele mundo tão real e encantador. Existia a posição de aluno contemplativo em relação às milenares questões indecifráveis, e outra de artista destemido e criador quanto à vida por si só, quase irreflexiva.
Talvez por isso não visse no olhar um canal atrativo; não sei ao certo se passava despercebido, não reconhecia a existência desse canal ou simplesmente o ignorava por não julgar ser propício àquele instante. A ausência dessa conexão atribuía àquele mundo uma profundidade incomum, diferente das previsíveis exaltações dramáticas. Não havia a emoção febril e desoladora, capaz de montar e fazer crescer exponencialmente ilusões e miragens extasiantes. Os elementos ali presentes naqueles determinados pesos, medidas, identificações e impressões não possuíam expectativas e superestima, e por isso eram tão profundos.
A complexidade do êxtase e da sensibilidade era primordialmente simples, simplicidade essa que tornava tudo extremamente compatível e belo.
Talvez por isso não visse no olhar um canal atrativo; não sei ao certo se passava despercebido, não reconhecia a existência desse canal ou simplesmente o ignorava por não julgar ser propício àquele instante. A ausência dessa conexão atribuía àquele mundo uma profundidade incomum, diferente das previsíveis exaltações dramáticas. Não havia a emoção febril e desoladora, capaz de montar e fazer crescer exponencialmente ilusões e miragens extasiantes. Os elementos ali presentes naqueles determinados pesos, medidas, identificações e impressões não possuíam expectativas e superestima, e por isso eram tão profundos.
A complexidade do êxtase e da sensibilidade era primordialmente simples, simplicidade essa que tornava tudo extremamente compatível e belo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário