Temo que, com os dias,
tranformes a imagem
que de mim criastes
Nas ranhuras discretas
Das minhas perturbações.
Temo que teus desejos
em tão pouco tempo sejam desfeitos
Por uma ansiedade que soluça
Juvenil e estúpida.
Temo mesmo conhecendo
a inutilidade do medo
Diante do risco dos encontros:
Não há receio que valha
A nefasta travessia do contato
visto perfeito e manso
E sustentado torto
Premeditando um naufrágio.
Cansada da resistência
Para proteger uma pele
inutilmente intacta
Hei de me jogar ao mar
E me ver boiar
Na beleza da entrega.
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